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O instante (MÁGICO!) que alimenta o espírito
Tudo parecia natural na vida daquele garoto de 17 anos: todos os dias ia à escola, era popular entre as garotas, atleta vencedor no basquete e sonhava, assim como o pai espertalhão, em seguir a carreira de advogado. Era mais um jovem com aspirações comuns à sua idade. Porém algo faltava para ele se sentir completo; as mesmas coisas que lhe davam prazer antigamente, agora pareciam sem sentido – jogar bola, ir com os amigos ao cinema, sair com a família...
Até que numa das inúmeras aulas as quais se passaram por anos sem qualquer percepção, esta teve maior significado: a sua constante distração foi interrompida pela voz do seu professor de Português que se aproximava, como se fosse para alertá-lo:
“Minha vida não foi um romance...
Ai de mim... Já se ia acabar!
Pobre vida que toda depende
De um sorriso... de um gesto... um olhar...”
Choque! Emoção. Descoberta. Pensamentos desconexos. Desespero. Ele acordou para a vida. Aquelas palavras de Quintana refletiam exatamente o que estava acontecendo com ele. Toda aquela felicidade mascarada – as vitórias nos jogos, as garotas que o cercavam, tudo parecia tão efêmero, como se a vida fosse artificial e sem sentido, pronta para ser vivida. Tudo se resumia em aparências.
Resolveu deixar de alimentar as expectativas alheias e buscar algo que ele ainda não sabia (e talvez nunca soubesse), mas sentia que estava no caminho certo. Iniciou, assim, a sua jornada através da poesia, poesia a qual um dia julgou ser tolice.
Quem diria, aquele garoto popular, desinteressado pela leitura, passou a ser freqüentador assíduo da biblioteca escolar onde teve contato com diferentes gêneros textuais dos mais diversos autores. Essa relação com os textos permitiu que ele fizesse a leitura não somente de poesias, contos, mas também de pinturas, músicas, até de dobraduras, estabelecendo um diálogo incrível com as palavras e observando cada nuance, como o jovem e ingênuo Inácio machadiano que apaixonado pelos braços de uma senhora madura, descobriu como detalhes pequenos, mas significativos, são capazes de tocar os sentimentos mais íntimos e nutrir intensas expectativas.
Essa viagem permitiu que ele percebesse o mundo com outros olhos e modificasse a sua forma de pensar. Diante disso, descobriu que tinha valores próprios e que não precisava mais seguir os desejos do espertalhão pai advogado. Ele necessitava agora lapidar os seus sonhos para, enfim, encontrar seu verdadeiro diamante. Após ter descoberto a magia da leitura, não queria parar mais. Era esse o tal caminho certo? Certeza ele não tinha, afinal, “certeza, certeza mesmo, só o FIM”.
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